segunda-feira, fevereiro 07, 2005

Intervenção consequente?


O projecto do Boavida bate-me à porta no momento certo.
Com a campanha eleitoral na sua penosa caminhada para o nada, percebe-se o desencanto, cheiro intensamente a mofo no baú das ideias cossadas que já não vestimos.
Creio que todos temos a sensação de que dificilmente se vai cumprir a próxima legislatura. Penso que nos invade, a todos, o sobressalto de que algo está para acontecer! E sente-se bem que não vai ser bom, porque os ventos sopram mas nada bule, porque todos clamam que há que dizer a verdade aos portugueses, mas ninguém no-la diz!
A proposta "Na mesa do costume", com a sua estrutura muito própria, promete ser um primeiro elemento aglutinador de vontades e ideias.
O que me agrada na solução encontrada é mesmo poder nascer alí um conjunto de "trabalhos de grupo" sobre os mais diversos temas, sem que ninguém se sinta condicionado nas suas intervenções.
Com a malta do Abnegado, da Fábrica, do Briteiros, do Salvos e afogados, do La Pipe, do Jumento, com o Filho do 25 de Abril, e tantos outros (com links aquí ao lado) e mesmo de uns quantos que vêm mostrando convicções em comentários que vão fazendo em diversos blogues, penso que pode nascer daquí algo de vervadeiramente interessante.
Como dizia o outro... eu estou nessa!

domingo, fevereiro 06, 2005

Domingo de entrudo


Hoje recomendar-lhes-ia esta pérola, com o que adornaria as palavras de Esther Mucznik , e sugerir-lhes-ia que festejassem, com algumas cautelas, a felicidade de não cruzarem com nenhum dos Della Santa que por aí andam!
De resto...é Carnaval.

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

Rescaldo de um debate


Ninguém duvida de que o País precisa de um Governo empenhado, com um projecto válido e uma liderança politicamente esclarecida e determinada. Creio também que muito poucos terão dúvidas de que o próximo primeiro ministro será o eng. José Sócrates, da mesmo forma que resulta claro que lhe falta alma para conseguir chegar à maioria absoluta.
O debate de ontem relançou a campanha porque Sócrates não conseguiu antecipar a hipocrisia do discurso de tolerância que Santana não hesitou em usar.
O debate correu bem a Santana porque Sócrates não soube anular, também pela antecipação, a demagogia que toda a gente sabia ser a arma nuclear do seu discurso.
O debate foi favorável a Santana porque se lhe não opôs um lider socialista com a força que só as convicções transmitem.
O debate de ontem correu mal ao País e correu mal ao PSD.
Correu mal ao PSD porque deu para perceber que Santana não vai encostar depois de 20 de Fevereiro e, por esse mesmo motivo, foi mau para o País , já que, com ou sem maioria absoluta no Parlamento, o que claramente se espera é que a oposição seja de facto responsavel!

O debate que eu vi


Como muito bem antecipara Pedro Efe esta tarde, este era o frente a frente que opunha um Pedro Santana Lopes "ao “ataque”, sem medo, a jogar no seu “campo”; o discurso directo, a toque de improviso meditado, a demagogia e o sentimento", a um José Sócrates, que tendo tudo ganho, mais por demérito do adversário do que por mérito próprio, tinha tudo a perder.
Nestas condições Santana Lopes é um adversário temível, José Sócrates não tinha tarefa fácil!
José Sócrates começou bem e pontuou na convicção com que atacou mas foi forçado a recuar perante as referências de PSL a declarações passadas em que se manifestara "muito liberal" em matérias como o casamento e a adopção de crianças por casais homossexuais.
Quanto aos impostos, com mais ou menos nuances, empataram:-não há aumento. PSL, habilmente, ainda deixa o aceno de uma possível baixa.
No tema do limiar da pobreza Sócrates é mais claro e pontua, para perder em seguida quando se aborda o tema da redução do peso da administração pública onde claramente as palavras substituiram as ideias, que não fez passar.
Nos temas "idade da reforma", onde podemos apostar nos 68 mais cedo ou mais tarde, e nos postos de trabalho que felizmente nenhum deles criará, estiveram como se esperava:-nada a abonar!
Sobre os resíduos industriais perigosos a vantagem esperada de Sócrates não ganha dimensão e pasmei ao ver PSL sentir-se legitimado para fechar concursos públicos só por saber que as populações e os ambientalistas estão contra a co-incineração. Alguém pagará as indeminizações para recuar com o processo!
Referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez um aceita-o o outro promove-o; já se sabia, não dá pontos. PSL sugere outros sobre o casamento de homossexuais, a eutanásia, a clonagem...; vê-se assim que não foi nada maldoso quando, há dias, desafiou Sócrates a pronunciar-se !
O que é ganhar as eleições e o que é perdê-las? Felizmente aquí há acordo. Mas Santana já vem em crescendo: assegura que com a "decisão dos indecisos" a maioria absoluta não estará ao alcance de nenhum dos partidos e então... com que apoios governaria o PS? Pontua claramente na faixa de eleitorado que lhe interessa!
Para a declaração final Sócrates gasta os seus cinco minutos sem garra. Santana Lopes joga claramente em casa! É aqui que ele se sente bem. Olha as câmaras bem nos olhos, fala de futuro e confiança, e do contracto assinado(os dedos pegam a caneta e esboçam o gesto!), os olhos brilham-lhe de prazer... remata em força..."contem comigo! Eu atrevo-me também a dizer : conto convosco!"
O debate terminou. A campanha eleitoral... vai começar.

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

frente-a-frente

Agora que o grande frente-a-frente está aí, parece já nada haver para debater!!!
Como foi isto possível? De quem é a responsabilidade?
Será que já não interessa o confronto de ideias e deixou de fazer sentido a ponderação da viabilidade dos projectos?
Que pena que tenhamos que nos limitar a avaliar da credibilidade dos agentes!!!

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Confirmado?


A RTP oferece-nos esta semana, uma série de 5 entrevistas com os líderes dos 5 principais partidos que se submetem ao escrutínio popular em 20 fev.
Não tencionava comentar estas entrevistas por dois motivos muito concretos:
(1) Porque são transmitidos em horário nobre, no canal público, e por isso facilmente acompanhados por quem se interesse minimamente por estas coisas.
(2) Porque, sendo tão cuidadosamente preparadas pelos entrevistados e seus estados-maiores , atingem naturalmente os objectivos que se propõem atingir , pelo que só faria sentido comentar a justeza desses objectivos.
Aconteceu porém que hoje era o dia do Eng. José Sócrates e, honestamente, esperava poder reunir informação suficiente para me autoflagelar pela forma como venho pondo em causa a sua real aptidão para a tarefa que, muito provavelmente, vai ter pela frente. E aí as coisas complicaram-se!!!
Gostei da forma como, sem entrar no jogo de Santana Lopes, reagiu à sua inqualificável campanha de insinuações do mais baixo nível, e gostei também, muito particularmente, da limpidez com que respondeu à pergunta sobre as dívidas do futebol. De resto, lamento, mas não gostei!
Não gostei nem do conteúdo nem da forma.
Não foi consistente no conteúdo, designadamente na abordagem do famigerado plano tecnológico enquanto panaceia, que não é, para os males actuais da nossa economia! Não foi convincente na forma, porque pareceu sempre usar cada pergunta para dar continuidade a um discurso que trazia preparado de casa.
Se fui só eu que vi isto, melhor para ele! Mas receio bem que não!!!
De resto, ainda está a tempo de eleger convicções... e poupar nas palavras!